Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Primeiro quadro

Este é um trabalho em têmpera vinílica com óleo de linhaça. Fiz durante as aulas de pintura A, que têm como objetivo experimentar materiais.


A câmera fotográfica voltou do mundo dos mortos.

Sábado, Novembro 01, 2008

Na semana de Quadrinhos da EBA- parte II

Na quinta, depois da oficina de tirinhas, que foi bastante interessante apesar de eu ter chegado no meio, houve um debate sobre charges e humor político. O debate contou com a presença de Nico, Latuff e Amorim e provou como um debate pode fluir bem quando todos os participantes estão sóbrios.

A presença de Nico foi a única ação que demonstrou que a semana estava homenageando Henfil. Nada foi dito sobre ele em outros momentos, não havia nada dele ou sobre ele exposto, enfim, esse foi um defeito da semana, mas pelo menos tivemos o Nico lá para falar alguma coisa sobre o artista. Discordei um pouco do que ele deisse sobre o desenho de Henfil ser simples para mostrar que não é preciso desenho acadêmico para se comunicar. Acho muito mais provável o seu desenho ser simples para não roubar a atenção das denúncias políticas contidas em suas tiras. A Graúna não é o desenho de alguém que não sabe desenhar.

Fora isso, o outro destaque da noite com certeza foi o Latuff fazendo um discurso radical contra o mangá. Achei ótimo. Acredito que o mais necessário de se dizer aos estudantes que querem fazer quadrinhos é que eles devem encontrar sua própria forma de se expressar. Alguns colegas ficaram um pouco chocados com o seu radicalismo, mas quando você encontra pessoas muito aficcionadas por um pensamento, a forma mais eficaz de conversar é sendo bem radical no início para chamar atenção para o assunto, e depois ser mais diplomático. Claro que o problema não é o estilo em si. O problema é não ser seletivo na escolha das suas leituras e nem crítico com a sua própria produção.

Hoje em dia é comum encontrar pessoas assim o tempo todo. Pessoas que, na busca de uma aparência bonitinha para os seus desenhos, se esquecem que a função dos quadrinhos é contar histórias e que o estilo de desenho é só um dos elementos que as compõe. Quando era mais nova e lia muitos mangás cansei de encontrar histórias que tinham desenhos muito bonitinhos mas um roteiro péssimo. E da mesma forma, histórias ótimas mas que não seguiam aquela estética clichê de mangá e que por isso não eram lidas pela maior parte dos "otakus". Óbvio que não é só com esse estilo que isso acontece. Eu gosto de DC Comics, mas nem por isso vou à banca e compro o Batman 3.459.999 porque ser o Batman não é garantia de que seja bom. Isso depende de quem foram os criadores daquelas histórias. Também conheço pessoas aficcionadas por Marvel que lêem as séries que estão nas bancas sempre e pessoas que lêem DC e fazem o mesmo. E não é fácil encontrar alguém que leia os quadrinhos que não recebem tanto marketing, mas que são ótimos, como Preacher, Authority, Monstro do Pântano e outros. É ridículo pensar que pessoas agem assim tendo internet e livre acesso a todo tipo de fóruns e sites de scans. Quadrinhos são muito mais do que clichês de super-heróis, mutantes ou japoneses comuns que virão a salvar o mundo. Quadrinhos são uma linguagem experimental com infinitas possibilidades. Um ótimo exemplo disso é a autobiografia em quadrinhos de Alison Bechdel, Fun Home. Quantas pessoas você conhece que tenham lido esse álbum?

Voltando ao assunto do debate, também foi discutido o problema de pensar que copiar desenhos de outros artistas é saber desenhar. Saber desenhar é saber se expressar graficamente e para isso não é necessário estudar desenho acadêmico, óbvio. Mas, por outro lado, é necessário que o artista seja capaz de desenhar qualquer coisa. Não adianta ser capaz de copiar todos os mutantes da Marvel e não conseguir desenhar um cachorro mijando ( essa quem mandou foi o Latuff. Mas eu já tinha lido isso na internet há séculos e na época fui correndo desenhar o cachorro mijando de todas as vistas possíveis XD). Tooodo mundo que estuda na EBA sabe que copiar outros artistas é uma forma de crescer e de experimentar novos materiais, mas muitos também sabem (vide o esforço da tia Lourdes) que se você não é capaz de encontrar sua própria maneira de se expressar você é um idiota. Não tenho mais nada a falar sobre a quinta-feira.